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Inspiração

A inspiração por vezes some
Paro, expiro, inspiro
E nada acontece porque não é por aí

Mudo de posição
Troco a fonte no editor
E nada porque também não é por aí

Leio algo bom, reflito
Até começo a escrever
De forma xoxa, pálida e combalida

Medito, faço yoga, desço do salto
Sem resultado, durmo
Sem que um verso vire prosa da boa

Acabei descobrindo que posso procurá-la
Mas sempre é ela que me encontra
Quando quer, no seu tempo, a qualquer hora.

5 sentidos

Aos que não me escutam
Vibração

Aos que não me tocam
Proctologistas

Aos que não me enxergam
Reflexão

Aos que não me cheiram
Prendedores de roupas

Aos que não sabem meu gosto
Continuarão sem saber

Eu quero minha Mãe

Balas perdidas no morro o encontraram
E enquanto sangrava imóvel,
Ouviu na barulheira do silêncio sua dor:

“Filho,
És filho da puta
Óbvio que não mente
Dessa que te pariu

Filho,
És filho bastardo
Óbvio que você sente
A falta do cara que nunca viu”

Uma bala no peito
E outra no baço
Em minutos será menos um

Da laranja, o bagaço
Do suór, o cheiro do aço
Da traição, o beijo e o abraço
Do IML, um desembaraço

Se arrependeu amargamente de não ter seguido os conselhos da mãe.

Procissão

Ningúem era de ninguém
Até ela ser dele
Na procissão de um homem só
Tomou posse
E a carreguou no andor
Na bolha hermética e segura
Que julgou todo o tempo
Ser amor

Mas era só insegurança mesmo.

Gravidade

Não tenho medo de altura
Só da gravidade
Aquela força que me atraca ao chão

Talvez sendo mais branda
Saberia como se sentem
Balões de hélio e bolhas de sabão

Mas ela insiste em me puxar pra baixo
Em me deixar preso nos meus passos
É meu desejo na contra mão

Dona Dalete

Minha mãe completou 65 anos
Já pode andar de ônibus de graça,
Ter prioridade na fila do banco
E levar uma mordida menor do Leão

Muito pouco para quem provou aos 28
O gosto amargo da viuvez
E o desafio de criar 3 filhos sozinha
Ela e a gente na flor de nossos 8, 7 e 5 anos

Para Dona Dalete não havia planos
Em que não estivéssemos presentes
Não havia sonhos
Que não pudéssemos sonhar juntos

Lembro das dificuldades da grana curta
Das inúmeras horas na máquina de costura
Da sabedoria para nos ensinar o certo e errado
De sua fé inabalável nas coisas do alto

Um dia me deu uma bala de prata
Quer ser engenheiro? Não temos dinheiro
Estude e passe na UFMG
E assim foi feito

Diante do impossível
Usava seu “telefone vermelho”
Dava seus pulos, fazia sua parte
E batia um papo com Deus

Não existiu batalha que não vencesse
Fosse aqui ou em terras distantes
Muito obrigado por ter nos guiado!
Muito obrigado por ter nos criado!

PS. O que fazer com esse tantão de amor que ainda carrega no peito?
Continue distribuindo com Samantha, Clara, Lara, Théo, Gael, Luan, Caio e Luca.
Avó é um tipo de mãe ainda mais abençoado.

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Pichador

Ao pichador das obras de Cândido Portinari e Oscar Niemeyer uma imensa vontade de batê-lo no liquidificador,  peneirá-lo, pressurizá-lo e distribuí-lo em diversas latinhas de spray para sair pichando pela cidade, onde for permitido, a palavra IDIOTA.